terça-feira, 9 de março de 2010

n-o-s-o



Sabiam bem que o seu
-se havia qualquer cousa que pudesse ser nomeada como
o seu-
era na prática
impossível
Nem táctica nem estrategicamente
existia aquilo que ambos os dous reconheciam
instintivamente
como o seu
Ela era eminentemente lírica
e ele obsessivamente prosaico
Ele substantivizava acçons
e ela nom fazia mais que adjectivar sentimentos
Ela na procura incessante de umha cálida sensaçom
e ele sempre a fugir de qualquer indício de doçura
Porém
conseguiram
nas escassas ocassions em que coincidiam
no tempo e no espaço
caminhar juntos sem tropeçarem
e mesmo podiam estar vários segundos
e até minutos
diante de uns cafés ou umhas cervejas
sem falar
em silêncio
A evitar cuidadosamente as inecessárias palavras
Sabiam bem
que umha mínima parte do outro
era cousa sua
e que a soma de tudo isso
era aquilo que
inexplicavelmente
dotava de conteúdo o seu
-se havia qualquer cousa que pudesse ser nomeada como
o seu-




Lugrís 









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2 comentários:

  1. Qué nos queda entón, só a poesía?
    O agarimo dunha pluma?

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  2. - Si, malpoucadillo, qué pensabas?
    - Pensei que seria como Isthar.
    - E logo?
    - Está baixo a mesma influencia
    - Boooohh, qué dis?
    - Si, oh, venusiana.
    - E ?
    - Pois abrinlle tres portas?
    - Pa que?
    - Polo da danza, si esa, non sabes, a dos "sete veos"

    TO BE CONTINUED

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